sábado, 19 de janeiro de 2013





Para quem, idade? 

          Empoeiradas castanhas dos nós de tuas pernas, diz-me com quem andas, que eu te seguirei. Dentro dos rios secos do canto dos teus olhos, menina, me diz qualquer leite em matutina, que eu pernas, que eu presa, embeberei. Qualquer zumbido no meio do mato, berro de bode, menino parido, seca no pote, vida roubada, sertão em corte, um prazo, sem sorte?. Um Deus no caminho; bengalas e buracos no chão, um furto pertinho, chuva em meu coração. Empoeirados caminhos das voltas de tua saia, diz-me quem tua amas, menina, que eu te seguirei.

        




segunda-feira, 26 de novembro de 2012


O quarto.

O vento sempre ergue uma cortina pesada, sempre bagunça uma poeira no canto, o vento, e esquece uma outra poeira ao lado. No chão sempre há sandálias supersticiosas,  mesquinhas, diferentes, mas calçáveis como todas as outras. No chão encontra-se todos os restos de alguém, todas as marcas da existência, desformatando o que se faz junto e o que fica. No quarto, assim como vento, como a cortina e a poeira, tudo era passível de ser arrumado, mas nem tudo era. Esquecido. O quarto se embranquecia no vazio das coisas arrumadas. Metros quadrados resumidos em uma única parede, em móveis largados em um canto.Tudo largado pelo alguém que decidiu viver. 

Casmurros. 

A vida enlameia a areia contada. 
O vidro de ponta cabeça. 
O menino cheio de rugas.
 O velho amor nas traças de uma puta. 
Bentinho perdido em si, na farsa dos olhos cegos e coxos.